É a integração, estúpido!

Notícias recentes dão conta do que há muito se sabe: as praxes académicas seguem o rumo de uma interpretação inquinada, promovidas por acéfalos cuja ocupação – não sendo a de trabalhar, nem a de estudar – acaba por ser a mais medíocre a que um ser humano se prova: a humilhação.

Em Coimbra as praxes estão suspensas. Ao que parece, numa quinta-feira, por volta das 4h manhã, duas caloiras do curso de Psicologia recusaram assinar um ‘documento’ de rejeição de praxe. Em resposta, um energúmeno do 3º ano de Ciências da Educação agrediu as alunas com cabeçadas e bofetadas. Acabaram no hospital e, mais tarde, no Instituto de Medicina Legal.

Que ‘documento’ é este? Segundo a notícia do JN, o mesmo, se assinado, impediria as alunas de participar nas actividades académicas dos próximos anos. Pasme-se: alguém, com mais matrículas e com um papel na mão – provavelmente escrito naquele pseudo-latim ridículo -, pensou que teria autoridade para impedir outros daquilo a que todos os alunos do ensino superior têm direito. São os mesmos que afirmam que a praxe é voluntária.

Melhor: o dux dos veteranos – leia-se: o menino com mais matrículas, mais álcool no sangue e que mais alto berra -, afirmou ao Público que decidiu “suspender a praxe de gozo e de mobilização”. Praxe de gozo e de mobilização? O que é isso?

Em resposta ao que aconteceu, os docentes de letras da Faculdade de Coimbra criaram uma petição com o objectivo de interditar certas praxes.  “Há práticas que violam a liberdade e dignidade de cada um, com um carácter profundamente sexualizado, com linguagem fortemente obscena, e são violentas”, justificou Catarina Martins, uma docente e promotora do abaixo-assinado que acrescentou o essencial:

“(…) tais práticas, dentro e fora das instalações da faculdade, põem em causa a imagem da instituição, e são atentatórias “ao que deve ser a universidade e a sua função”, de educação para a cidadania, promoção dos direitos individuais, do saber e do sentido crítico.

Não será de estranhar que os docentes estejam desconfortáveis com a praxe. O que os professores fazem dentro das salas, os ‘doutores’ desfazem fora delas. O que uma Universidade, no seu conceito lato, promove, os ‘doutores’ despromovem nas suas praxezinhas e teatrinhos.

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