Category Archives: Artigos Publicados

Sobressalto geracional

Dizer que nós, jovens, somos a geração mais bem preparada, mais culta e mais capaz de sempre é já um lugar-comum. Mas não deixa de ser um ponto que nos distancia, de forma particular e decisiva, de gerações anteriores, que fizeram do amadorismo uma forma de vida – o tão chamado “desenrascanço”.

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Diário de Bordo #3 – Ângelo Campos é o novo presidente

O Clube Atlético de Rio Tinto virou mais uma página na sua já longa história. Este clube, com 85 anos de vida, tem um novo presidente da Direcção que norteará doravante os destinos da instituição. Ângelo Campos foi empossado presidente no sábado, sucedendo a António Taveira cujo trabalho, dos últimos 14 anos, foi amplamente elogiado.

O discurso do agora ex-presidente foi de alerta. “ Desejo a maior das felicidades à nova Direcção mas aviso que não será um trabalho fácil. É um cargo exigente e difícil. A sorte será também necessária.” António Taveira agradeceu apelo apoio que lhe foi prestado enquanto presidente e que, segundo o próprio, foi essencial para o desempenho do cargo.

Após a assinatura dos diferentes membros que compõem a nova direcção, o recém-empossado presidente, Ângelo Campos, começou por deixar uma palavra de agradecimento ao seu antecessor: “Um presidente extremamente correcto e empenhadíssimo na honra do bom nome do clube”.

Falando sobre a importância da prática desportiva, Ângelo Campos afirmou que o futebol poderá ser uma boa forma de “preparar os jovens para um futuro que se avizinha cada vez mais competitivo, tanto no desporto como na escola e até nas suas futuras carreiras profissionais.”

Como elemento essencial do seu mandato, o dirigente desportivo elegeu a determinação para ultrapassar os obstáculos que se avizinham e prometeu ser “exageradamente justo” para com aqueles que tentaram travar o progresso do Atlético de Rio Tinto. O relvado sintético, um anseio antigo de todos os que fazem parte do clube, não foi esquecido por Ângelo Campos que prometeu que o clube “continuará a propor a solução” por forma a melhorar as actuais infra-estruturas.

A cerimónia de tomada de posse contou com várias personalidades. Entre elas, o líder da Assembleia-geral do Atlético, Luís Silva, os vereadores Fernando Paulo e Castro Neves, o autarca Marco Martins e presidente da Direcção do Mosteiro Futebol Clube, Joel Ramos. Nesta ocasião, Marco Martins destacou o trabalho desenvolvido pelo clube ao nível das camadas jovens. Além disso, o presidente da Junta de Rio Tinto, realçou a importância do Atlético para a freguesia e para o concelho.

Por sua vez, o vereador Fernando Paulo exaltou, à imagem de Ângelo Campos, o trabalho do anterior presidente do clube: “ António Taveira é um excelente dirigente desportivo, nunca perdendo o bom-trato, a elegância e a boa educação.” O vereador afirmou que por agora será apenas possível manter o apoio habitual ao Atlético, o que acontece à imagem de outras instituições. A austeridade que os tempos exigem e os fortes investimentos noutras áreas, como a Educação, não permitem “entrar em aventuras”, explicou o responsável autárquico.

Quanto ao desejo expresso pelo adeptos e simpatizantes do clube, Fernando Paulo respondeu que “não posso recusar que o sintéctico é o piso ideal para a prática do futebol. Logo que seja possível, a Câmara Municipal de Gondomar vai apoiar esta aspiração.”

 

Luís Alves

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Isto

A mescla de acontecimentos que tem vindo a ocorrer no quadro político português – que tem a demissão do primeiro-ministro como exemplo maior -, deixa-nos, uma vez mais, a vaguear pela espuma dos dias.

Vale a pena socorrermo-nos de um sempre útil dicionário para esclarecermos um ponto que será interessante de ser conhecido por todos, sem excepção.

Política: “s.f. ciência ou arte de governar uma nação; arte de dirigir as relações de um estado com outro.”

É assim que consta no dicionário. A política como uma ciência ou arte. Interessante conceito este que junta dois sub-conceitos tidos frequentemente como díspares.
A arte, por seu lado, como a exaltação de um estado mais ou menos raro em que o Homem se liberta e se exprime. Por outro, a ciência, como algo rígido e axiomático em que nos fundamos como ferramenta para perceber melhor o que nos rodeia.

Não será por acaso que a política congrega duas áreas opostas. Entre outras razões, poder-se-á explicar pela casta nobre em que a política se insere e pela função primordial que desempenha junto daqueles que representa.

De facto, em Portugal cavalgamos para um afastar progressivo do conceito original de política e o resultado é esta amálgama de decisores de índole política que beiram o diletantismo.

Diogo Vasconcelos, director internacional da CISCO, relembrou numa conferência na Nova de Lisboa que no Reino Unido, país onde exerce as suas funções, as pessoas constroem e sedimentam uma carreira académica e profissional e só depois, se dedicam a uma tarefa política porque só nesse momento teriam algo a dar aos seus concidadãos.

Porque é disto que se trata: de dar um contributo intelectual, cultural, pessoal e de trabalho ao país e aos cidadãos.

Esse contributo deve partir de individualidades que sejam do que melhor há na sociedade. Pessoas que tenham excelentes níveis culturais, académicos e valores intrínsecos como o da honestidade e o da integridade. Não se trata de distinguir as pessoas nem tão pouco de elitismos. Trata-se sim de ter uma escolha criteriosa daqueles que são os mais habilitados a representar e a tomar decisões que são de todos e que a todos diz respeito.

Nesse sentido, a política não deve ser nunca uma profissão. E o que mais temos são carreiras que floresceram de uma fonte puramente política. Esse é, talvez, o sinal mais preocupante do estado das coisas.

A política, nessa ambivalência que é a arte e a ciência, deve saber integrar decisores que bebam constante e recorrentemente de fontes históricas, filosóficas e sociológicas. Porque sem essas ciências basilares, a política é uma nulidade. É um confronto vazio de jogos políticos e de crianças que discutem estratégias em tom baixo para o “adversário” não escutar. São personagens que encenam um papel que não conhecem. Que se digladiam num confronto pessoal a que nós, que esperávamos um confronto de ideias, assistimos tristemente.

in O Centro Social e Jornal Vivacidade

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Hoje por hoje

Comparar política com futebol pode soar a um exercício que resvala para o prosaico. Na verdade, a política em si, como ciência e exercício de cidadania, nada tem a ver com futebol e logo aí, as hipotéticas possibilidades de comparação se diluiriam.

No entanto, se não é possível estabelecer uma ponte comum entre estas duas díspares actividades, o mesmo não se pode afirmar quanto às reacções que provocam.

Quando um qualquer treinador se cruza com a torrente do sucesso, os adeptos não tardam a mitificar o seu trabalho. Se no dia a seguir, a erosão desse trabalho surge e as derrotas sobrepõem-se às vitórias, o heróico treinador desaparece e emerge uma figura indesejável. Em bom e ávido português dir-se-á assim: “Passou de bestial a besta.”

Nós somos assim: temos uma extensão de memória só comparável com a largueza do nosso país. O que ontem foi bom, hoje é detestável e amanhã é execrável.

Na política, os fenómenos de reacção são muito à imagem desse desporto que move milhões – de pessoas e de euros -, em que a imagem dos treinadores é substituída pela dos políticos e a dos clubes pela dos regimes.

Num estudo realizado recentemente no âmbito do Projecto Farol, 46% dos portugueses auscultados no inquérito, afirmaram que as condições económicas e sociais do país estão piores do que há 40 anos.

O desespero é um mau conselheiro. E esta resposta demonstra isso mesmo.

Há 40 anos atrás a saúde não era um direito. A educação seguia-lhe o caminho e as taxas de alfabetização aterrorizavam o mais calmo dos nórdicos. A fome era uma realidade banal. A esperança média de vida era baixa e a mortalidade infantil era alta. O estado de iliteracia geral era perene. Hoje por hoje, parece uma realidade a cair em desuso, ainda que de forma demasiado lenta.

O clube que abandonámos com o esforço pessoal de muitos – o da ditadura – é aos olhos de metade da população melhor que o clube que abraçamos entusiasticamente – o da democracia.

Churchill disse um dia a célebre e genial frase: “A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

Lembremo-nos que hoje, indiscutivelmente, somos um melhor clube. Precisamos apenas de treinar mais. E com mais afinco.

in O centro Social

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Eólicas

São tantos os problemas que afectam o país que desisti de os enumerar.

Dedicar-me-ei, sem qualquer vínculo de promessa, às soluções!

Começo por uma que minimiza, decerto, a nossa colossal dependência energética ao exterior: parque eólicos offshores. O território nacional está a atingir um limite no que concerne aos parques eólicos. Solução? Partir para o mar, como outrora o fizemos.

A EDP está a desenvolver um projecto pioneiro a nível mundial para implantar parques eólicos flutuantes – offshores – que produzirão energia com maior eficiência em pleno oceano.

As vantagens passam pela redução da tão afamada dependência energética, criação de emprego e a dinamização do mar. O futuro passa inegavelmente por aqui.

in Metro [23.02.11]
(ler artigo no Metro online)

 

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Deixámos de ser pessoas

Nós, europeus por referência geográfica e europeístas por convicção, deixámos de ser pessoas. Deixamo-nos encantar pelos privilégios de viver no velho e rico continente. Deixamo-nos sorver por uma aristocracia aparente e volátil. Demasiado volátil.

Certo é que os países do sul padecem mais deste vírus dos que os do norte. Talvez pelos hábitos ancestrais, talvez pelos valores base em que nos sustentámos, a realidade é que nós, especificamente, os portugueses, atirámo-nos para este estado apático e bacoco como alguém se atira para o sofá no final de um dia intenso de trabalho. E por lá ficámos.

Este fenómeno que dilacera já duas ou três gerações tem um efeito anestesiante no nosso bom senso.

Hoje, mais do que ontem, gastámos dinheiro porque sim.

Gabriel Magalhães, num brilhante artigo no La Vanguardia intitulado de “A neblina portuguesa”, resume assim:

“(…) foi vingando a ideia de que o projecto da Europa assentava num sistema aristocrático para toda a população. Foi assim que se deu o regresso inconsciente a uma mentalidade senhorial de outros tempos. Entrámos no século XXI a pensar com se pensava no século XVII.”

A fasquia das nossas ambições é sobejamente baixa. As universidades são hoje rampas de lançamento para um emprego, provavelmente precário, mas que é o bastante para uma vida “vivível”.

Somos pouco altruístas. Vivemos por e para nós. Abandonámos (ou nunca chegamos a ter) uma cultura colectiva que nos permitia viver melhor.

O nosso percurso de existência não se pode resumir a um “nascer-estudar-divertir-trabalhar-reformar-e-morrer”. Se assim for, é sinal de que abdicámos definitivamente uma postura de vivência em sociedade. O velho continente não suportará esse estado desinteressado e acrítico e os países emergentes serão, de uma forma desestruturada, donos de nós e do mundo.

in O Centro Social

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Portugal

A História de Portugal é parca em conjecturas como a actual. Vivemos esmagados entre duas crises massivas. Temos uma crise mundial que é transversal aos diversos países, mas que os afecta de modo diferenciado. Por outro, temos uma crise nacional, antecedente à crise que estalou a nível mundial, que resulta não só de políticas irresponsáveis como também deste apanágio tão nosso que é a inércia.

[…] Urge acreditar na força do carisma luso, que nos levou mar dentro a desbravar novas terras. Acreditar que somos um país pobre no que às dimensões geográficas se refere mas rico e único em mercados específicos que serão, certamente, o rumo a tomar para depor este séquito de latência.

in Metro [29.9.10]

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Soberba Indigente

Nós, portugueses, temos muitas qualidades. Somos hospitaleiros, simpáticos, patriotas e até solidários. Temos, no entanto, alguns defeitos que persistem com o passar do tempo e que nos deixam enclausurados neste ambiente ruralizado que beira não raras vezes o limite do provinciano.

Um desses defeitos é o facto de sabermos e termos solução para tudo. Nada nos escapa.

O presidente do Sporting demitiu-se? “Eu bem tinha avisado que ele não era o presidente ideal para o clube”.

José Mourinho está em divergência com Jorge Valdano? “Aquele Valdano nunca me enganou. Eu logo vi que ele ia fazer a folha ao Mourinho.”

(…)

Os políticos? “ São uma orgia de corruptos que nada sabem e que estão lá para se governarem.”

Temos esta capacidade inata que nos permite dissertar sobre tudo e sobre nada e que seria até, uma aptidão não censurável caso não partisse de um pressuposto errado – nós não sabemos do que falámos.

(…) A nós, basta ler um título de um jornal, para (…) com a leviandade própria de quem apenas os títulos lê, debater qualquer assunto de ânimo leve. Depois é vê-los aí pelos fóruns das rádios e das Tvs (…) a palrar sobre o Orçamento de Estado, sobre as mais recentes políticas económicas e sobre os mercados internacionais. (…)

in Expresso [29.1.11]

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