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Kits de experiências

O mundo contemporâneo é um kit de experiências. Daqueles que se vendem nas livrarias, junto ao balcão. Dentro daquelas caixas vêm viagens de balão de ar quente, noites românticas a dois, em hotéis de charme, massagens nos melhores spas e muitas outras experiências que mostram o que de melhor a vida tem para oferecer. Dentro daquelas pequenas e coloridas caixas, de plástico duro, palavras como crise, depressão, negativo, pessimismo ou apreensão não fazem eco algum e significam coisa nenhuma. É um mundo encantado.

A comunicação – e a palavra, no seu sentido mais amplo -, transformaram-se em kits de experiências. Ridiculamente acessível, inocuamente reflectida e incompreensivelmente simplificada, hoje a comunicação faz-se em modo ‘pré-primária’, através de imagens e símbolos, para que o cérebro – tão ocupado com outros afazeres – não tenha de se debruçar sobre o significado das coisas.

A palavra foi suplantada pela imagem, esta última que atrai de forma inequívoca mas que explica pouco e faz pensar ainda menos quando caminha sozinha, sem o seu companheiro-mestre, que é a palavra.

Abandonou-se a “cultura do equilíbrio” de que falava Manuel Alexandre Júnior, e adoptou-se uma filosofia puramente imagética que terá consequências desastrosas, na mais optimista das perspectivas futuras. Se os jovens de hoje não tiverem a capacidade de perceber que uma imagem não vale mais do que mil palavras, perder-se-á uma ou mais gerações. Constituirão um conjunto de seres acéfalos que dirão ‘não’ perante uma obra ou uma peça teatral – que lhes permitiria pensar, reflectir, crescer e progredir – e dirão ‘sim’ quando confrontados com a superficialidade da televisão e dos seus conteúdos, com o cinema sem raíz ou com as redes sociais em que até para dar uma opinião não é necessário usar a palavra. Basta clicar em ‘gosto’.

[comentário sobre o texto ‘Eficácia Retórica: A palavra e a imagem’, de Manuel Alexandre Júnior para a cadeira de Gramática e Laboratório de Comunicação III]
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Referências

“Excluindo-nas, ou limitando-as [à História e à Literatura] a vinhetas de ciclos históricos universais e escritores giros para a criançada, Portugal resume-se ao presente, à Selecção Nacional, aos clubes, aos famosos da bola, da música popular e dos ecrãs generalistas”.

[Eduardo Cintra Torres, in Público, 2.9.11]

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NZT

Parece que não fui o único que, depois de ver o soberbo filme que dá pelo nome de Limitless, fui procurar se o NZT existia mesmo.

Tendo em conta a fugaz pesquisa que fiz, fiquei com a ideia que não existe mesmo. Que pena. Ou talvez não.

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127 hours

Filme: 127 hours.

Efeitos secundários: desmaios, vómitos e ataques epilépticos.

História: Interessante, forte e baseada em factos verídicos.

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Black Swan

Profundo. Difícil. Melodramático. Brilhante.

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The King’s Speech

A monarquia como regime é controversa. Uns aprovam-na, outros rejeitam-na, como tudo, de resto.

Na Europa predominam as Repúblicas. A portuguesa, a francesa, a italiana, a alemã, entre tantas outras que compõem a “maioria republicana” no velho continente.

Já a “minoria monárquica” desmonta-se em 12 reinos. Entre esses, contam-se como os mais sonantes, o espanhol, o sueco e, inevitavelmente, o britânico.

E é sobre este último que se desenrola o filme mais bem posicionado para vencer os Óscares – “The King’s Speech”-, para os quais, aliás, tem 12 indicações, destacando-se do “The Social Network” e da “Origem”. Na verdade, é natural que assim aconteça.

O filme conta à história verídica de um rei – George VI – que o foi inesperadamente. Interpretado por Colin Firth, ele próprio também nomeado para o globo de ouro de melhor actor dramático, o enredo monárquico e repleto de maneirismos comuns ao ambiente Real é rompido por uma personagem peculiar num papel essencial para o desenvolvimento do filme. Dr. Lionel Logue é a personagem que auxilia o agora Rei a ultrapassar o difícil obstáculo que se aprontava – a gaguez.

A II Guerra Mundial aproxima-se e o Império Inglês suspirava por uma voz, ironicamente, uma voz, que pudesse servir de alento ao período difícil que se avizinhava.

Um filme brilhantemente realizado e produzido, com uma história profunda e cativante que desmistifica, até certo ponto, a “perfeição” exaltada e cultivada pelas famílias Reais.

Estreia a 10 de Fevereiro, em Portugal.

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