Tag Archives: crise

Deve ser da crise

O ambiente é de ferro, é duro e pesado. Nada se salva. Discute-se, grita-se, explode-se. E pouco mal teria se fosse pontual, se fosse apenas hoje e não amanhã e depois de amanhã e depois depois de amanhã. Destrói-se, incompreende-se, desliza-se para a insanidade social mas também familiar.

Deve ser da crise.

Não se assume um erro como um erro. É antes um furacão de lesa pátria, incorrigível, incontornável, inultrapassável, sem remendo que valha ou ponto de recuperação, como nos sistemas operativos.

Deve ser da crise.

O carro destacionado, a panela no armário alheio, a relva descortada há demasiado tempo, o cão desveterinado. Tudo é um drama. O comezinho deixou de ser comezinho. O comezinho é assunto de Estado, porque jamais reparável, jamais recuperável.

Deve ser só da crise.

Com as etiquetas , ,

Pobre Porto

 

O jornal Público extermina amanhã, oficialmente, a secção local Porto do seu jornal.

Não percebendo bem o que se passa com o meu Público – digo meu porque sinto por ele uma espécie de amor extravasante, pela qualidade e sobriedade que lhe reconheço (ou reconhecia) -, confesso-me triste e desolado.

Recordo as leituras que faziam daquela secção e que me davam tanto gozo.
Vivo, por memória, os tempos em que comprei o Público (Edição Porto) na estação de comboios, no aeroporto, ou perto de casa e o fui ler para fora da cidade, para paragens mais ou menos distantes. Como sabia bem ler o que se passava no país e no mundo e depois chegar, já perto do final do diário, à secção Porto. Como é bom lermos a nossa cidade. E eu li-a. Na secção local Porto. Que espanto eram os textos do Jorge Marmelo e de alguns outros.

Amanhã talvez volte a ler o Porto no Público. Pela última vez.

Ou talvez nem me dê ao trabalho. Por luto.

 

 

 

Com as etiquetas , , , , , , , , ,

Soares dos Santos

Foi de facto muito interessante, a entrevista de Alexandre Soares dos Santos a José Gomes Ferreira, ontem (dia 6) na SIC Notícias, no programa Negócios da Semana.

De entre as inúmeras questões abordadas, com natural incidência para a crise política, destacam-se duas basilares: (1) deve haver um acordo pré-eleitoral; (2) o Presidente da República deve nortear o caminho doravante seguido.

Ainda houve tempo para estabelecer pontes entre o momento do país e a situação na Jerónimo Martins, que depois de se ter estabelecido de uma forma consolidada na Polónia, pretende ampliar os seus negócios para outros países, que, por ora, estão a ser estudados numa perspectiva fiscal e constitucional.

(Fotografia: ALEXANDRE ALMEIDA/KAMERAPHOTO)

Com as etiquetas , , , , , , , ,

Vão-se entretendo…

A polémica à volta da proposta de Jorge Lacão, Ministro dos Assuntos Parlamentares, não pode ser mais do que uma “manobra de diversão”, como disse e bem, Manuela Ferreira Leite.

Em português, chama-se “balão de oxigénio”

E o governo de Sócrates precisa disto como de pão para a boca.

As quase ininterruptas revoltas no Norte de África e Médio Oriente têm servido bem. O recalcado e renascido caso “Casa Pia” também foi útil.

Mas esta polémica mais útil será.

Enquanto nos entretemos a mastigar isto, Sócrates vai flutuando.

Com as etiquetas , , , ,

Portugal

A História de Portugal é parca em conjecturas como a actual. Vivemos esmagados entre duas crises massivas. Temos uma crise mundial que é transversal aos diversos países, mas que os afecta de modo diferenciado. Por outro, temos uma crise nacional, antecedente à crise que estalou a nível mundial, que resulta não só de políticas irresponsáveis como também deste apanágio tão nosso que é a inércia.

[…] Urge acreditar na força do carisma luso, que nos levou mar dentro a desbravar novas terras. Acreditar que somos um país pobre no que às dimensões geográficas se refere mas rico e único em mercados específicos que serão, certamente, o rumo a tomar para depor este séquito de latência.

in Metro [29.9.10]

Com as etiquetas , , , , , , ,