Tag Archives: Cultura

Pequenas coisas

As estórias que imagino, sobre eles, devem ser tão falaciosas como a circunstância que as explicaria caso eu as conhecesse. Facto que não me deixa menos deslumbrado, devo admitir, com os dois livros usados que comprei, numa pequena feira dedicada.

“Os Palhaços de Deus” de Morris West e “O Padrinho” do siciliano Mario Puzo são a razão.

Um final de tarde, dois clássicos e um enriquecer da biblioteca a preço simbólico. Cada, 1,5€. Fico deslumbrado cada vez mais com o conceito de usado. De repente, por não ter tido apenas um dono, o valor a pagar por um qualquer objecto dilui-se e desce vertiginosamente como uma gota num vidro embaciado.

Destes dois livros a trama é outra. Mais do que objectos usados, são um muito por quase nada num tempo em que nunca houve tão pouco por tanto.
A juntar a isto, um cheiro a alfarrabista intocavelmente preservado, com um brilho de umas páginas bem amarelas, ao jeito de aguardente velha, com uma textura que não é mais do que um indício do seu uso.

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Kits de experiências

O mundo contemporâneo é um kit de experiências. Daqueles que se vendem nas livrarias, junto ao balcão. Dentro daquelas caixas vêm viagens de balão de ar quente, noites românticas a dois, em hotéis de charme, massagens nos melhores spas e muitas outras experiências que mostram o que de melhor a vida tem para oferecer. Dentro daquelas pequenas e coloridas caixas, de plástico duro, palavras como crise, depressão, negativo, pessimismo ou apreensão não fazem eco algum e significam coisa nenhuma. É um mundo encantado.

A comunicação – e a palavra, no seu sentido mais amplo -, transformaram-se em kits de experiências. Ridiculamente acessível, inocuamente reflectida e incompreensivelmente simplificada, hoje a comunicação faz-se em modo ‘pré-primária’, através de imagens e símbolos, para que o cérebro – tão ocupado com outros afazeres – não tenha de se debruçar sobre o significado das coisas.

A palavra foi suplantada pela imagem, esta última que atrai de forma inequívoca mas que explica pouco e faz pensar ainda menos quando caminha sozinha, sem o seu companheiro-mestre, que é a palavra.

Abandonou-se a “cultura do equilíbrio” de que falava Manuel Alexandre Júnior, e adoptou-se uma filosofia puramente imagética que terá consequências desastrosas, na mais optimista das perspectivas futuras. Se os jovens de hoje não tiverem a capacidade de perceber que uma imagem não vale mais do que mil palavras, perder-se-á uma ou mais gerações. Constituirão um conjunto de seres acéfalos que dirão ‘não’ perante uma obra ou uma peça teatral – que lhes permitiria pensar, reflectir, crescer e progredir – e dirão ‘sim’ quando confrontados com a superficialidade da televisão e dos seus conteúdos, com o cinema sem raíz ou com as redes sociais em que até para dar uma opinião não é necessário usar a palavra. Basta clicar em ‘gosto’.

[comentário sobre o texto ‘Eficácia Retórica: A palavra e a imagem’, de Manuel Alexandre Júnior para a cadeira de Gramática e Laboratório de Comunicação III]
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Assustador (I + II)

19% da população portuguesa corresponde a 1 milhão e meio de pessoas?

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Assustador (II)

A ‘Casa dos Segredos’ é visto diariamente por cerca de um milhão e meio de espectadores.

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A Voz Humana

“A primeira noite dorme-se. O sofrimento distrai, é uma novidade, suportámo-lo. O que não se suporta é a segunda noite, a de ontem, e a terceira, a de hoje, a que vai começar dentro de alguns minutos, e amanhã e depois de amanhã, dias sobre dias, a fazer o quê, meu Deus?”

[de Jean Cocteau, no TNSJ até 4 de Dezembro]

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Não é um Top Gear, mas…

…parece que, finalmente, temos um bom programa de carros, em Portugal. É a Volante TV e é transmitido na SICN.

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Diário de Bordo #12 Compacto

Com as férias veio a despreocupação. Depois disso, aparentemente, estaria para vir o regresso ao trabalho, com o mesmo ritmo de sempre. Mas não. Até há bem pouco tempo, a extensão das férias fez-se notar nos dias ainda relaxados, apesar da faculdade já ir em velocidade de cruzeiro.

Agora, que despertei, tudo volta ao normal. A faculdade, o jornal, o blog – e respectivo diário de bordo -, O Centro Social, etc.

Quanto ao diário de bordo, desta vez, e por já estar atrasado, apresento uma súmula dos acontecimentos e não uma descrição pormenorizada.

Do pós-férias e já a trabalhar para a edição de Setembro, o meu trabalho foi extenso e desdobrou-se em quatro eventos:

1. Entrevista à autora do livro Código 12_18, Deolinda Reis;

2. Publireportagem (ou reportagem redigida, como diz Manuel António Pina) do Mathriders – um centro de explicações de matemática com uma taxa de sucesso de 95%;

3. Entrevista à confraria do Rosário, que é o grupo responsável pela organização de uma das maiores festas religiosas da zona norte;

4. Publireportagem de uma loja de fotografias – a Foto Ilustre – que é conduzida por dois profissionais exímios na arte de fotografar.

Destes quatros eventos, o que mais me marcou, enquanto repórter estagiário, foi a entrevista à escritora e professora Deolinda Reis, pela forma como a conversa, no final da apresentação da obra, fluiu. Por mais que nos fosse útil, nem todos os nossos entrevistados tem a capacidade oratória e discursiva da escritora, que me permitiu fazer um bom trabalho na hora de redigir o artigo.

A edição saiu a 29 de Setembro, com um layout refrescado, naquela que foi a primeira mudança estética desde o seu nascimento.

Ainda no campo das novidades, surge uma inteiramente relacionada com a necessidade premente das novas tecnologias. O antigo site do jornal Vivacidade já não responde às exigências dos tempos actuais e, querendo colmatar essa falha, eu próprio, nos tempos livres, construí um novo site de raíz que pretende ser, este sim, um meio de comunicação actualizado, dinâmico e apelativo. Em relação ao anterior, este novo possui inúmeras potencialidades, entre as quais a capacidade de o leitor consultar a versão online, de ler as principais notícias e destaques, entre outras coisas. No entanto, este webespaço ainda não é oficial, estando à espera do aval da direcção.

O trabalho para a edição de Outubro já começou. A edição deste mês terá a minha colaboração numa proporção mais contida, visto que o trabalho da faculdade me deixa pouco tempo extra.

A fechar, deixo algumas fotografias que ilustrem o meu trabalho para a edição de Setembro do periódico rio tintense.

A autora da obra ‘Código 12_18’, Deolinda Reis, a quem a simpatia e clareza de ideias surgem naturalmente.

Os confrades do Rosário, homens de fé, constituídos por um espírito de voluntariado cada vez mais etéreo.

As renovadas instalações da Foto Ilustre, conduzida por António Mendes e Rui Teixeira, dois fotógrafos premiados.

E, por fim, a capa da edição do mês de Setembro, com um enfoque natural nas festas do concelho.

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Conterrâneo

Júlio Resende 1917-2011

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Exmo. Sr. Professor Dr.

Há uns meses fui fazer uma cobertura de um evento – não interessa qual, nem onde. No final, no caos dos meus apontamentos, faltavam-me uns nomes, que iriam ser necessários para a redacção da notícia. Fui falar com o responsável. Um homem de meia idade, altivo, com uma ponta de simpatia disfarçada. Enquanto lhe perguntava os nomes, notei que ele olhava para um outro bloco que tinha, onde estava escrito o nome dele.
De repente, com um sorriso tipo eu-vi-logo-que-eras-um-pateta:

– «Não é ‘Sr.’ mas sim ‘Dr.’, atrás do meu nome.» – disse ele.

Olhei para o dito bloco. De facto estava lá o ‘Sr.’ mas, na realidade, não devia estar lá nada. Nem ‘Sr.’, nem ‘Dr.’.

– «Pois» – disse eu, enquanto riscava o ‘Sr.’ e punha lá o ‘Dr.’ um pouco mais a cima. «Isto é só um rascunho mas na notícia não aparecerá qualquer título» – acrescentei, tentando explicar-lhe.

– « Ah, pois, em Jornalismo são só os nomes das pessoas, não é?», respondeu ele com uma expressão que desvendava a tristeza que lhe ia na alma por aquilo que tinha acabado de dizer ser verdade.

Numa crónica recente de Mário Crespo, o próprio surpreendia-se com com este “complexo do doutoramento nacional”, referindo-se a este como “caso único no mundo”.
No mesmo espaço de opinião, o pivôt partilhava com os leitores os dados do Wall Street Journal sobre Portugal, num artigo apelidado pelo periódico americano de “Uma Nação de Cábulas”. Nele, constatava-se que apenas “28% da população portuguesa entre os 25 e os 64 completaram o nono ano”, enquanto que noutros países europeus, esse indicadores rondam os 90%.

A questão é: se já é chato que exista um país de doutores e engenheiros, o que dizer de um país de falsos doutores e engenheiros?

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Nostalgia de um tempo inexistente

Do fado já me assaltaram vários sentimentos. Os mais marcantes foram dois. Primeiro, uma partilha de opinião com o vimieirense que nos ‘presidiu’ durante 40 anos: o fado é deprimente. A segunda, mais recente, mais a par com outros tipos de gosto: o fado é interessante. É como o humor stand-up. Tem de se aprender e é tudo menos instantâneo.

Por ora, deslumbro-me com Amália. Sinto uma certa nostalgia de um tempo que não vivi – o tempo áureo da diva -, mas que gostava de ter vivido.

Nunca é tarde para descobrir o Fado, Amália e todo o património cultural a eles associado.

(Por falar em património, o Fado já o é, ‘imatarialmente’ falando? Se não o é, devia ser).

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Referências

“Excluindo-nas, ou limitando-as [à História e à Literatura] a vinhetas de ciclos históricos universais e escritores giros para a criançada, Portugal resume-se ao presente, à Selecção Nacional, aos clubes, aos famosos da bola, da música popular e dos ecrãs generalistas”.

[Eduardo Cintra Torres, in Público, 2.9.11]

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“Para além da dívida”

Hoje, no Público, um artigo de leitura obrigatória, de Pedro Lomba, no espaço habitual. “Para além da dívida” refresca-nos com uma visão do investimento governativo em universidades e na formação superior em geral. Apesar do estado agravado da economia mundial, países há onde a crise não afectou a qualidade das instituições de ensino.
“A América pode estar em crise (…) Mas há um foco de poder tipicamente americano que resiste: as universidades”.

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Portdance Open (Diário de Bordo #11)

Sábado, 16 de Julho
Portdance Open, Multiusos de Gondomar

Depois de festas tradicionais, aniversários de associações, serões culturais, eis que chega um evento de uma dimensão e âmbito diferentes.

O PortdanceOpen, festival internacional de dança desportiva, realizou-se em Gondomar, no pavilhão Multiusos, e a cobertura do evento para o jornal Vivacidade ficou por minha conta.

Como as características do evento eram substancialmente diferentes, fiz uma preparação mais aprofundada da cobertura: preparei devidamente as questões para os diferentes tipos de entrevistados. No local, tive oportunidade de entrevistar o organizador, Pedro Sousa, que também é o mentor de uma academia de dança com o seu nome, o vereador Castro Neves, da Câmara de Gondomar, alguns pares de dançarinos participantes, os responsáveis de um ginásio lá representado, bem como alguns visitantes.

O evento, pelo que vi e segundo palavras do organizador, teve sucesso e a edição deste ano parecia estar a superar a de outros anos.

No local, para além do Vivacidade, estiveram também, que eu tivesse visto, o Jornal de Notícias, que fez duas reportagens sobre o evento, e o Porto Canal.

A cobertura correu bem, todos os entrevistados deram um excelente contributo e a edição da notícia seguiu o mesmo caminho. Desta vez, tendo em conta a natureza da notícia e o facto de ter mais alguns caracteres disponíveis, tentei imprimir um ritmo mais presencial e não tanto formatado. Pretendi com a notícia, contar, de facto, uma história, utilizando referentes espaciais e temporais, o que nem sempre é fácil num jornal mensal. A ver vamos qual será o resultado. No dia 4 de Agosto, dia em que o jornal sai, saber-se-á!

Deixo também uma apresentação em vídeo, um dos muitos que estão no Youtube, que impressiona pela qualidade dos dançarinos.

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Um registo diferente (Diário de Bordo #8)

Sexta, 1 de Julho
Conferência na Associação São Bento, Rio Tinto

A Associação São Bento, organizou uma conferência dedicada ao Mosteiro Beniditino. O evento, realizado na sede da colectividade, decorreu ao longo do serão quente da primeira noite do mês de Julho e teve como orador o ex-director da Biblioteca Municipal do Porto e actual assessor Cultural da Câmara Municipal do Porto, Luís Cabral.

Para além da conferência e do bom humor do orador convidado, a sala, com todo o seu valor histórico e o Quarteto de Saxofones da Academia de Música de Costa Cabral concretizaram uma noite agradável e um artigo muito interessante de redigir.

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Domingo, dia de trabalho (Diário de Bordo #6)

Domingo, 19 de Junho
Entrevista à Comissão de Festas S. Bento, em Rio Tinto

Nem todos descansaram ao 7º dia. Eu, por exemplo, no domingo último tive de trabalhar para o estágio.

Fui a Rio Tinto, entrevistar os elementos da Comissão de Festas de S. Bento das Pêras e S. Cristóvão. Trata-se de uma festividade que representa uma tradição muito antiga da cidade, que, em tempo de crise, vive sérias dificuldades quer ao nível financeiro, quer ao nível geracional. Quanto ao primeiro nível, é o dia-a-dia de um país que vive em crise absoluta. O segundo relaciona-se com o desprendimento dos mais jovens para com as festas tradicionais e, sobretudo, religiosas.

A entrevista correu muito bem. Usei pela primeira vez o telemóvel para gravar, em detrimento das notas apressadas num bloco que havia utilizado noutras situações. Depois da entrevista, ainda fiquei um tempo largo à conversa com estes senhores simpáticos e preocupados com o futuro da tradição.

Aproveitando o facto de estar em Rio Tinto e de ser domingo, aproveitei para “despachar” mais um trabalho que tenho para este mês, também relacionado com a festa: um inquérito de rua.

O balanço paralelo do inquérito é este:

1. 50 % das pessoas não quer responder;

2.  Alguns respondem mas, quando sabem que a fotografia tem de ser tirada para “validar” a opinião, recusam, inutilizando tudo o que disseram;

3. A grande maioria acaba a falar de política, mesmo quando a questão é: “O que acha da festa de S. Bento”.

No entanto, o balanço oficial é mais que positivo e a experiência que fica segue o exemplo.

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Diário de Bordo #5

Sexta, 10 de Junho.
Aniversário da Assembleia de Rio Tinto.

A Assembleia de Rio Tinto, uma colectividade da cidade, festejou o seu 90º aniversário. A palavra crise esteve uma vez mais na ordem do dia. No entanto, a cascata sanjoanina que a associação “ostenta” na sua sede, faz esquecer todos os problemas. Uma verdadeira obra de arte, criada pelo Sr. Arlindo Martins, que prima pela humildade. Esta cascata que representa a cidade de Rio Tinto vai a concurso e espera ter o mesmo resultado das últimas seis: a vitória.

 

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NZT

Parece que não fui o único que, depois de ver o soberbo filme que dá pelo nome de Limitless, fui procurar se o NZT existia mesmo.

Tendo em conta a fugaz pesquisa que fiz, fiquei com a ideia que não existe mesmo. Que pena. Ou talvez não.

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Diário de Bordo #3 – Ângelo Campos é o novo presidente

O Clube Atlético de Rio Tinto virou mais uma página na sua já longa história. Este clube, com 85 anos de vida, tem um novo presidente da Direcção que norteará doravante os destinos da instituição. Ângelo Campos foi empossado presidente no sábado, sucedendo a António Taveira cujo trabalho, dos últimos 14 anos, foi amplamente elogiado.

O discurso do agora ex-presidente foi de alerta. “ Desejo a maior das felicidades à nova Direcção mas aviso que não será um trabalho fácil. É um cargo exigente e difícil. A sorte será também necessária.” António Taveira agradeceu apelo apoio que lhe foi prestado enquanto presidente e que, segundo o próprio, foi essencial para o desempenho do cargo.

Após a assinatura dos diferentes membros que compõem a nova direcção, o recém-empossado presidente, Ângelo Campos, começou por deixar uma palavra de agradecimento ao seu antecessor: “Um presidente extremamente correcto e empenhadíssimo na honra do bom nome do clube”.

Falando sobre a importância da prática desportiva, Ângelo Campos afirmou que o futebol poderá ser uma boa forma de “preparar os jovens para um futuro que se avizinha cada vez mais competitivo, tanto no desporto como na escola e até nas suas futuras carreiras profissionais.”

Como elemento essencial do seu mandato, o dirigente desportivo elegeu a determinação para ultrapassar os obstáculos que se avizinham e prometeu ser “exageradamente justo” para com aqueles que tentaram travar o progresso do Atlético de Rio Tinto. O relvado sintético, um anseio antigo de todos os que fazem parte do clube, não foi esquecido por Ângelo Campos que prometeu que o clube “continuará a propor a solução” por forma a melhorar as actuais infra-estruturas.

A cerimónia de tomada de posse contou com várias personalidades. Entre elas, o líder da Assembleia-geral do Atlético, Luís Silva, os vereadores Fernando Paulo e Castro Neves, o autarca Marco Martins e presidente da Direcção do Mosteiro Futebol Clube, Joel Ramos. Nesta ocasião, Marco Martins destacou o trabalho desenvolvido pelo clube ao nível das camadas jovens. Além disso, o presidente da Junta de Rio Tinto, realçou a importância do Atlético para a freguesia e para o concelho.

Por sua vez, o vereador Fernando Paulo exaltou, à imagem de Ângelo Campos, o trabalho do anterior presidente do clube: “ António Taveira é um excelente dirigente desportivo, nunca perdendo o bom-trato, a elegância e a boa educação.” O vereador afirmou que por agora será apenas possível manter o apoio habitual ao Atlético, o que acontece à imagem de outras instituições. A austeridade que os tempos exigem e os fortes investimentos noutras áreas, como a Educação, não permitem “entrar em aventuras”, explicou o responsável autárquico.

Quanto ao desejo expresso pelo adeptos e simpatizantes do clube, Fernando Paulo respondeu que “não posso recusar que o sintéctico é o piso ideal para a prática do futebol. Logo que seja possível, a Câmara Municipal de Gondomar vai apoiar esta aspiração.”

 

Luís Alves

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Diário de Bordo #2 – Solidariedade e diversão

    No passado dia 21 de Março realizou-se no Largo do Mosteiro, em Rio Tinto, a segunda edição do Festival da Juventude. Este evento, organizado pela Comissão Social de Freguesia, reuniu durante este dia diferentes perspectivas do que é ser hoje um jovem.

O acontecimento, que contava com um cartaz repleto de actividades, assegurou a diversão e a dinâmica própria dos mais novos e imprimiu esse espírito nas centenas de visitantes que fizeram questão de estar presentes no Festival da Juventude.

    Desde concursos de graffiti a projectos de solidariedade, passando por rastreios e workshops , o certame ofereceu aos que o visitaram um conjunto alargado de amostras que reflectem a cultura e vivência dos jovens rio tintenses.

Um projecto que esteve em destaque no festival foi o dos alunos do 12º ano da Escola Secundária de Rio Tinto. O objectivo que os move, o de promover a solidariedade social junto de todos, levo-os a participar como expositores.

Inês Teixeira, membro do grupo que desenvolveu esta ideia, afirmou que o “público diversificado” com que o evento contou, lhes permitiu abrir perspectivas para dar a conhecer o projecto no qual têm vindo a trabalhar. A jovem, animada pela causa que a trouxe ali e pela possibilidade de ter um público alargado, afirmou que este evento ia ser “óptimo” para o projecto e que o mesmo “ajuda a ajudar”.

    Numa perspectiva mais artística, o festival contou com um mural junto ao palco onde diversos jovens que partilham o gosto pelo graffiti se puderam expressar e mostrar os seus dotes. Bruno Oliveira, um desses jovens, revelou que esta forma de comunicação surgiu, no seu caso pessoal, pela união entre o hip pop e o desenho, ambos do seu interesse. Tal como o projecto de voluntariado, este também tem uma moral que os jovens pretenderam passar ao longo do dia: “ o graffiti não é só vandalismo”, alertou Bruno Oliveira.

Um dos grandes atractivos do evento foi a actividade radical Freeride que juntou muitos curiosos.

As rampas que rasgavam o largo permitiram a muitos jovens praticantes da actividade mostrar as acrobacias e habilidades em verdadeiros momentos de destreza e aventura, para delícia de todos que assistiam.

Afonso Oliveira, atleta federado há 4 anos e praticante de alta competição a nível nacional, participou no evento e afirmou que foi um objectivo muito concreto aquele que o trouxe ao Festival da Juventude. “ Não vim para mostrar o que sei fazer. Vim aqui para dar a conhecer a modalidade a todos.”

   O presidente da Junta de Freguesia, Marco Martins, esteve também presente no evento e ficou agradado com o que viu. “ O festival desenvolve-se com o estabelecimento de 20 parcerias sociais que contribuíram para que este evento fosse possível e contou com uma organização de cerca de 250 pessoas. É o culminar de um trabalho cujo tema é inclusão social e voluntariado.”, referiu o autarca.

Num tempo de crise económica e social, o Presidente da Junta, em tom de conclusão e lançando um repto, frisou que “devemos promover o espírito das pessoas.”                                                                         (Fotografia: JFRT)

Luís Alves
[ 1º artigo publicado no jornal Vivacidade, na qualidade de estagiário ]

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Póstroika

Quem não defende uma política simplificada e acessível, não a defende de todo. A política, sendo algo de todos nós, deve estar ao alcance de todos. Do médico e do trolha. Do velho e do novo. Do empregado e do desempregado. De todos.

Este vídeo que aqui partilho responde a esse presságio.

Tem argumentação do autor do República do Cáustico, um blog que elenca a lista de locais de opinião que frequento com regularidade.

Quanto à realização, design e animação, esses, ficaram a cargo da Dialogue – uma equipa de design que não conhecia mas da qual fiquei fã pela criatividade e frescura.

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A ver

Exposição de fotografia, da autoria de Manuel Fernando Almeida, na galeria Majestic, no café com o mesmo nome.

Um espaço que remonta à Belle Époque portuense e uma exposição de fotografia que nos dá espaço pela contemporaneidade e flexibilidade do autor e do seu trabalho.

                                                                                                           (Fotografia: Karppanta)

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Cidades

“Gondomar clama por um parque da cidade.”
por Luís Alves

[in Público, 22.4.11]

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Soberba Indigente

Nós, portugueses, temos muitas qualidades. Somos hospitaleiros, simpáticos, patriotas e até solidários. Temos, no entanto, alguns defeitos que persistem com o passar do tempo e que nos deixam enclausurados neste ambiente ruralizado que beira não raras vezes o limite do provinciano.

Um desses defeitos é o facto de sabermos e termos solução para tudo. Nada nos escapa.

O presidente do Sporting demitiu-se? “Eu bem tinha avisado que ele não era o presidente ideal para o clube”.

José Mourinho está em divergência com Jorge Valdano? “Aquele Valdano nunca me enganou. Eu logo vi que ele ia fazer a folha ao Mourinho.”

(…)

Os políticos? “ São uma orgia de corruptos que nada sabem e que estão lá para se governarem.”

Temos esta capacidade inata que nos permite dissertar sobre tudo e sobre nada e que seria até, uma aptidão não censurável caso não partisse de um pressuposto errado – nós não sabemos do que falámos.

(…) A nós, basta ler um título de um jornal, para (…) com a leviandade própria de quem apenas os títulos lê, debater qualquer assunto de ânimo leve. Depois é vê-los aí pelos fóruns das rádios e das Tvs (…) a palrar sobre o Orçamento de Estado, sobre as mais recentes políticas económicas e sobre os mercados internacionais. (…)

in Expresso [29.1.11]

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