Tag Archives: democracia

Os Obamas

A fotografia dos Obamas revela uma outra realidade, que poderia ser chamada das possibilidades ilimitadas da verdadeira reciprocidade, de um casamento que desafia as definições mais rígidas. O casamento dos Obamas encanta e atrai tanta gente porque parece tão confortável que ninguém está preocupado com quem usa as calças lá em casa – e essa é a realidade de muitos dos casamentos felizes. Num casamento saudável, os parceiros não interpretam simplesmente os papéis tradicionais do seu género, reproduzindo a trama de obediência e fidelidade: inventam os seus próprios papéis da maneira que melhor serve o interesse de ambos. O casamento é improvisação, e cada caso é um caso único. A variedade abunda, e as pessoas adaptam-se.

Trecho da notícia Público/The Washington Post sobre como uma fotografia se insufla de narrativas

 

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Perda

Maria José Nogueira Pinto reunia características raras em política, mas igualmente raras na natureza humana. Uma delas era a frontalidade genuína. Aquele tipo de frontalidade que não existe para impressionar, para chocar. Existe, simplesmente.

Uma perda profunda.
[1952-2011]

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Modernices

“Eu acho admirável que um homem como o Papa tweet tweets no Twitter, com o seu Ipad mas que ao mesmo tempo diz: sim, mas isso do preservativo são modernices.” 

Ricardo Araújo Pereira,
no último Governo Sombra, antes das férias

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Esperançoso

Divulgada a lista do futuro colégio governamental, importa realçar a coerência das escolhas, apesar de algumas surpresas.

Desde logo, o superministro: Vítor Gaspar. Dos nomes mais ventilados para esta pasta, nenhum foi escolhido. Nem Catroga, nem Bento, nem Duque.

Para um das áreas mais importantes – a Justiça – uma mulher com garra: Paula Teixeira da Cruz que prima pela veemência das suas convicções.

Da boa equipa parlamentar de que o CDS dispunha, transitam para o governo dois nomes: Pedro Mota Soares e Assunção Cristas. São jovens (37 e 36 anos, respectivamente) e deles espera-se que continuem com a mesma intensidade e qualidade de trabalho que até agora tinham vindo a desenvolver. Apesar disso, a escolha para a Agricultura parece ser uma surpresa.

Uma das escolhas que mais revela coerência e consistência é a da Educação. O matemático Nuno Crato, presidente do TagusPark, é agora o homem forte deste ministério. Excelente escolha pelo seu profissionalismo e competência.

A cultura ganhou Francisco José Viegas, encarregado do ministério que virou secretaria e que agora presta contas ao primeiro-ministro, Passos Coelho.

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Póstroika

Quem não defende uma política simplificada e acessível, não a defende de todo. A política, sendo algo de todos nós, deve estar ao alcance de todos. Do médico e do trolha. Do velho e do novo. Do empregado e do desempregado. De todos.

Este vídeo que aqui partilho responde a esse presságio.

Tem argumentação do autor do República do Cáustico, um blog que elenca a lista de locais de opinião que frequento com regularidade.

Quanto à realização, design e animação, esses, ficaram a cargo da Dialogue – uma equipa de design que não conhecia mas da qual fiquei fã pela criatividade e frescura.

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Bagão Félix

O Conselho de Estado, segundo a CRP, é “o orgão político de consulta do Presidente da República” (artº 141) cujo funcionamento está explícito no ponto 2 do artigo 144º: ” As reuniões do Conselho de Estado não são públicas”.

Se nestes 35 anos de vida deste documento fundamental da democracia portuguesa, houve muitos que o contornaram, esta não é uma razão para que um recém-empossado Conselheiro de Estado o faça.

Bagão Félix, de forma mais ou menos indirecta, revelou parte do conteúdo dessa última reunião que ocorreu no último dia do mês passado. Não o devia ter feito. Mesmo que um dos Conselheiros tivesse, hipoteticamente, mentido. Deve haver, ao abrigo daquilo que é o Conselho de Estado, um dever de reserva inviolável.

Quero acreditar que este “deslize” foi apenas isso. Um deslize. Porque Bagão Félix é uma personalidade repleta de qualidades pessoais e intelectuais.

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Isto

A mescla de acontecimentos que tem vindo a ocorrer no quadro político português – que tem a demissão do primeiro-ministro como exemplo maior -, deixa-nos, uma vez mais, a vaguear pela espuma dos dias.

Vale a pena socorrermo-nos de um sempre útil dicionário para esclarecermos um ponto que será interessante de ser conhecido por todos, sem excepção.

Política: “s.f. ciência ou arte de governar uma nação; arte de dirigir as relações de um estado com outro.”

É assim que consta no dicionário. A política como uma ciência ou arte. Interessante conceito este que junta dois sub-conceitos tidos frequentemente como díspares.
A arte, por seu lado, como a exaltação de um estado mais ou menos raro em que o Homem se liberta e se exprime. Por outro, a ciência, como algo rígido e axiomático em que nos fundamos como ferramenta para perceber melhor o que nos rodeia.

Não será por acaso que a política congrega duas áreas opostas. Entre outras razões, poder-se-á explicar pela casta nobre em que a política se insere e pela função primordial que desempenha junto daqueles que representa.

De facto, em Portugal cavalgamos para um afastar progressivo do conceito original de política e o resultado é esta amálgama de decisores de índole política que beiram o diletantismo.

Diogo Vasconcelos, director internacional da CISCO, relembrou numa conferência na Nova de Lisboa que no Reino Unido, país onde exerce as suas funções, as pessoas constroem e sedimentam uma carreira académica e profissional e só depois, se dedicam a uma tarefa política porque só nesse momento teriam algo a dar aos seus concidadãos.

Porque é disto que se trata: de dar um contributo intelectual, cultural, pessoal e de trabalho ao país e aos cidadãos.

Esse contributo deve partir de individualidades que sejam do que melhor há na sociedade. Pessoas que tenham excelentes níveis culturais, académicos e valores intrínsecos como o da honestidade e o da integridade. Não se trata de distinguir as pessoas nem tão pouco de elitismos. Trata-se sim de ter uma escolha criteriosa daqueles que são os mais habilitados a representar e a tomar decisões que são de todos e que a todos diz respeito.

Nesse sentido, a política não deve ser nunca uma profissão. E o que mais temos são carreiras que floresceram de uma fonte puramente política. Esse é, talvez, o sinal mais preocupante do estado das coisas.

A política, nessa ambivalência que é a arte e a ciência, deve saber integrar decisores que bebam constante e recorrentemente de fontes históricas, filosóficas e sociológicas. Porque sem essas ciências basilares, a política é uma nulidade. É um confronto vazio de jogos políticos e de crianças que discutem estratégias em tom baixo para o “adversário” não escutar. São personagens que encenam um papel que não conhecem. Que se digladiam num confronto pessoal a que nós, que esperávamos um confronto de ideias, assistimos tristemente.

in O Centro Social e Jornal Vivacidade

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Impossibilidade

Devo confessar que se torna difícil manter um ritmo pedagógico aceitável em prol de uma vida académica que se quer rica e próspera.

Os acontecimentos da corrente semana esgotam todo o pouco tempo disponível para essa actividade producente.

O PM demitiu-se e as declarações e as reacções jorram, assim como os comentários dos demais.

O Governo Sombra reúne-se, extraordinariamente, daqui a minutos.

É de facto uma impossibilidade, esta, a de estudar.

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Hoje por hoje

Comparar política com futebol pode soar a um exercício que resvala para o prosaico. Na verdade, a política em si, como ciência e exercício de cidadania, nada tem a ver com futebol e logo aí, as hipotéticas possibilidades de comparação se diluiriam.

No entanto, se não é possível estabelecer uma ponte comum entre estas duas díspares actividades, o mesmo não se pode afirmar quanto às reacções que provocam.

Quando um qualquer treinador se cruza com a torrente do sucesso, os adeptos não tardam a mitificar o seu trabalho. Se no dia a seguir, a erosão desse trabalho surge e as derrotas sobrepõem-se às vitórias, o heróico treinador desaparece e emerge uma figura indesejável. Em bom e ávido português dir-se-á assim: “Passou de bestial a besta.”

Nós somos assim: temos uma extensão de memória só comparável com a largueza do nosso país. O que ontem foi bom, hoje é detestável e amanhã é execrável.

Na política, os fenómenos de reacção são muito à imagem desse desporto que move milhões – de pessoas e de euros -, em que a imagem dos treinadores é substituída pela dos políticos e a dos clubes pela dos regimes.

Num estudo realizado recentemente no âmbito do Projecto Farol, 46% dos portugueses auscultados no inquérito, afirmaram que as condições económicas e sociais do país estão piores do que há 40 anos.

O desespero é um mau conselheiro. E esta resposta demonstra isso mesmo.

Há 40 anos atrás a saúde não era um direito. A educação seguia-lhe o caminho e as taxas de alfabetização aterrorizavam o mais calmo dos nórdicos. A fome era uma realidade banal. A esperança média de vida era baixa e a mortalidade infantil era alta. O estado de iliteracia geral era perene. Hoje por hoje, parece uma realidade a cair em desuso, ainda que de forma demasiado lenta.

O clube que abandonámos com o esforço pessoal de muitos – o da ditadura – é aos olhos de metade da população melhor que o clube que abraçamos entusiasticamente – o da democracia.

Churchill disse um dia a célebre e genial frase: “A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

Lembremo-nos que hoje, indiscutivelmente, somos um melhor clube. Precisamos apenas de treinar mais. E com mais afinco.

in O centro Social

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Moção de quê?

Dizem-me que o BE apresentou uma Moção de Censura. Todos se regozijam. Dizem que o PSD ficou “entalado”. Que Sócrates tem os dias contados. E que o PC falhou no timing.

Na verdade, Sócrates vai ter, via BE, uma “Moção de Confiança” porque o PSD (se não enlouqueceu) não a vai aprovar.

O tal movimento a que chamam de partido (vulgo BE) deu um tiro no pé. Mas achava que estava a fazer algo digno de registo histórico.

“Ora, tanto barulho para nada. Volta mas é para a cama e cala-te.”

(imagem: Henricartoon)

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Liberdade, finalmente.

O Egipto experiencia, finalmente, os seus primeiros momentos livres de opressão e estrangulamento social e político.

Vale a pena acompanhar a felicidade deste povo que hoje acrescenta, inefavelmente, um tópico à História mundial em geral e à do seu país, em particular. Esperemos que essa liberdade seja duradoura.

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0,0015

É o número, em percentagem, que a alteração de 230 para 180 deputados permitiria poupar aos cofres do Estado – 0,0015 do PIB.

É necessário acrescentar algo mais ao post ?

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Portugal

A História de Portugal é parca em conjecturas como a actual. Vivemos esmagados entre duas crises massivas. Temos uma crise mundial que é transversal aos diversos países, mas que os afecta de modo diferenciado. Por outro, temos uma crise nacional, antecedente à crise que estalou a nível mundial, que resulta não só de políticas irresponsáveis como também deste apanágio tão nosso que é a inércia.

[…] Urge acreditar na força do carisma luso, que nos levou mar dentro a desbravar novas terras. Acreditar que somos um país pobre no que às dimensões geográficas se refere mas rico e único em mercados específicos que serão, certamente, o rumo a tomar para depor este séquito de latência.

in Metro [29.9.10]

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Soberba Indigente

Nós, portugueses, temos muitas qualidades. Somos hospitaleiros, simpáticos, patriotas e até solidários. Temos, no entanto, alguns defeitos que persistem com o passar do tempo e que nos deixam enclausurados neste ambiente ruralizado que beira não raras vezes o limite do provinciano.

Um desses defeitos é o facto de sabermos e termos solução para tudo. Nada nos escapa.

O presidente do Sporting demitiu-se? “Eu bem tinha avisado que ele não era o presidente ideal para o clube”.

José Mourinho está em divergência com Jorge Valdano? “Aquele Valdano nunca me enganou. Eu logo vi que ele ia fazer a folha ao Mourinho.”

(…)

Os políticos? “ São uma orgia de corruptos que nada sabem e que estão lá para se governarem.”

Temos esta capacidade inata que nos permite dissertar sobre tudo e sobre nada e que seria até, uma aptidão não censurável caso não partisse de um pressuposto errado – nós não sabemos do que falámos.

(…) A nós, basta ler um título de um jornal, para (…) com a leviandade própria de quem apenas os títulos lê, debater qualquer assunto de ânimo leve. Depois é vê-los aí pelos fóruns das rádios e das Tvs (…) a palrar sobre o Orçamento de Estado, sobre as mais recentes políticas económicas e sobre os mercados internacionais. (…)

in Expresso [29.1.11]

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