Tag Archives: política

Os Obamas

A fotografia dos Obamas revela uma outra realidade, que poderia ser chamada das possibilidades ilimitadas da verdadeira reciprocidade, de um casamento que desafia as definições mais rígidas. O casamento dos Obamas encanta e atrai tanta gente porque parece tão confortável que ninguém está preocupado com quem usa as calças lá em casa – e essa é a realidade de muitos dos casamentos felizes. Num casamento saudável, os parceiros não interpretam simplesmente os papéis tradicionais do seu género, reproduzindo a trama de obediência e fidelidade: inventam os seus próprios papéis da maneira que melhor serve o interesse de ambos. O casamento é improvisação, e cada caso é um caso único. A variedade abunda, e as pessoas adaptam-se.

Trecho da notícia Público/The Washington Post sobre como uma fotografia se insufla de narrativas

 

Com as etiquetas , , , , , , , ,

Pobre Porto

 

O jornal Público extermina amanhã, oficialmente, a secção local Porto do seu jornal.

Não percebendo bem o que se passa com o meu Público – digo meu porque sinto por ele uma espécie de amor extravasante, pela qualidade e sobriedade que lhe reconheço (ou reconhecia) -, confesso-me triste e desolado.

Recordo as leituras que faziam daquela secção e que me davam tanto gozo.
Vivo, por memória, os tempos em que comprei o Público (Edição Porto) na estação de comboios, no aeroporto, ou perto de casa e o fui ler para fora da cidade, para paragens mais ou menos distantes. Como sabia bem ler o que se passava no país e no mundo e depois chegar, já perto do final do diário, à secção Porto. Como é bom lermos a nossa cidade. E eu li-a. Na secção local Porto. Que espanto eram os textos do Jorge Marmelo e de alguns outros.

Amanhã talvez volte a ler o Porto no Público. Pela última vez.

Ou talvez nem me dê ao trabalho. Por luto.

 

 

 

Com as etiquetas , , , , , , , , ,

A retórica mente. A política faz-se de retórica. A política mente.

O diálogo de Platão, entre Sócrates e Fedro, encerra uma questão muito interessante que, não raras vezes, não conseguimos reconhecer. A certa altura do diálogo, Sócrates, incitado por Fedro, parte para uma intervenção que resume, de forma clara, o que é a retórica – ou a arte da palavra -, e de que ferramentas ela se socorre. “(…) nos tribunais não interessa absolutamente nada a ninguém a verdade das coisas, mas só o que seja persuasivo. E tal poder reside no provável, a que deve aplicar-se quem deseja falar com arte.” O provável, que Sócrates refere, é o verosímil, ou seja, a opinião que a maioria aceita, mesmo que essa opinião não se revista de verdade. Da mesma forma, os dois interlocutores trocam, ao longo do diálogo, diversos exemplos onde a retórica se edifica sem um fundamento de verdade completa, como nas assembleias públicas ou nas reuniões privadas. Surge, por isso, a observação de que a retórica baseada na verdade pura é utópica. Por conseguinte, a eliminação da mentira na arte da palavra fará com que a mesma perca o poder persuasivo. Cabe, por isso, ao ‘auditório’ distinguir o tema – entre o que é complexo e que causa hesitação e o que é simples e não causa hesitação – e ter um conhecimento profundo dos assuntos tratados, através da investigação e do estudo, por forma a minimizar o poder, muitas vezes perverso, da retórica.

Com as etiquetas , ,

“Para além da dívida”

Hoje, no Público, um artigo de leitura obrigatória, de Pedro Lomba, no espaço habitual. “Para além da dívida” refresca-nos com uma visão do investimento governativo em universidades e na formação superior em geral. Apesar do estado agravado da economia mundial, países há onde a crise não afectou a qualidade das instituições de ensino.
“A América pode estar em crise (…) Mas há um foco de poder tipicamente americano que resiste: as universidades”.

Com as etiquetas , , , , , , ,

Outra perda

 

Esta sequência de perdas, umas atrás de outras, começa a ser difícil de conceber.

Há uma semana e pouco deixou-nos um dos mais significativos empresários do panorama nacional. Salvador Caetano, empreendedor do norte, partiu. Inspirou e inspirará outros que vêem no seu percurso, uma lição.

Anteontem morreu uma lutadora. Maria José Nogueira Pinto, irmã de uma grande jornalista – Maria João Avillez -, deixa também um rasto de luta destemida até ao último minuto.

Ontem, de forma súbita, foi a vez de Diogo Vasconcelos. Dei conta da sua presença e inteligência na primeira vez que ouvi falar dele, o ano passado, numa conferência que assisti na Nova de Lisboa.
A inovação e ele próprio andavam de mãos dadas. Era um visionário dos nossos tempos e andava uns passos à frente nestas e noutras questões.
Li, no fim-de-semana passado, uma entrevista que deu, porventura a última, à revista Cx. Como seria de esperar, o brilhantismo das suas palavras e convicções estava lá. Fiquei particularmente surpreendido com as suas opiniões em relação à direita e esquerda, aos partidos e à sua concepção do mundo partidário.
Fica o seu trabalho, o seu testemunho e o seu percurso profissional, dentro e fora de Portugal. Fica também a sensação que este era um homem que, decerto, muito teria para dar a todos nós.

Espero que as linhas deste blog, não tenham, nos próximos tempos, de se ocupar da triste mas honrada tarefa de descrever homens e mulheres de mérito que partiram.

Com as etiquetas , , , ,

Perda

Maria José Nogueira Pinto reunia características raras em política, mas igualmente raras na natureza humana. Uma delas era a frontalidade genuína. Aquele tipo de frontalidade que não existe para impressionar, para chocar. Existe, simplesmente.

Uma perda profunda.
[1952-2011]

Com as etiquetas , , , , , , ,

Modernices

“Eu acho admirável que um homem como o Papa tweet tweets no Twitter, com o seu Ipad mas que ao mesmo tempo diz: sim, mas isso do preservativo são modernices.” 

Ricardo Araújo Pereira,
no último Governo Sombra, antes das férias

Com as etiquetas , , , , , , ,

Esperançoso

Divulgada a lista do futuro colégio governamental, importa realçar a coerência das escolhas, apesar de algumas surpresas.

Desde logo, o superministro: Vítor Gaspar. Dos nomes mais ventilados para esta pasta, nenhum foi escolhido. Nem Catroga, nem Bento, nem Duque.

Para um das áreas mais importantes – a Justiça – uma mulher com garra: Paula Teixeira da Cruz que prima pela veemência das suas convicções.

Da boa equipa parlamentar de que o CDS dispunha, transitam para o governo dois nomes: Pedro Mota Soares e Assunção Cristas. São jovens (37 e 36 anos, respectivamente) e deles espera-se que continuem com a mesma intensidade e qualidade de trabalho que até agora tinham vindo a desenvolver. Apesar disso, a escolha para a Agricultura parece ser uma surpresa.

Uma das escolhas que mais revela coerência e consistência é a da Educação. O matemático Nuno Crato, presidente do TagusPark, é agora o homem forte deste ministério. Excelente escolha pelo seu profissionalismo e competência.

A cultura ganhou Francisco José Viegas, encarregado do ministério que virou secretaria e que agora presta contas ao primeiro-ministro, Passos Coelho.

Com as etiquetas , , , ,

Diário de Bordo #3 – Ângelo Campos é o novo presidente

O Clube Atlético de Rio Tinto virou mais uma página na sua já longa história. Este clube, com 85 anos de vida, tem um novo presidente da Direcção que norteará doravante os destinos da instituição. Ângelo Campos foi empossado presidente no sábado, sucedendo a António Taveira cujo trabalho, dos últimos 14 anos, foi amplamente elogiado.

O discurso do agora ex-presidente foi de alerta. “ Desejo a maior das felicidades à nova Direcção mas aviso que não será um trabalho fácil. É um cargo exigente e difícil. A sorte será também necessária.” António Taveira agradeceu apelo apoio que lhe foi prestado enquanto presidente e que, segundo o próprio, foi essencial para o desempenho do cargo.

Após a assinatura dos diferentes membros que compõem a nova direcção, o recém-empossado presidente, Ângelo Campos, começou por deixar uma palavra de agradecimento ao seu antecessor: “Um presidente extremamente correcto e empenhadíssimo na honra do bom nome do clube”.

Falando sobre a importância da prática desportiva, Ângelo Campos afirmou que o futebol poderá ser uma boa forma de “preparar os jovens para um futuro que se avizinha cada vez mais competitivo, tanto no desporto como na escola e até nas suas futuras carreiras profissionais.”

Como elemento essencial do seu mandato, o dirigente desportivo elegeu a determinação para ultrapassar os obstáculos que se avizinham e prometeu ser “exageradamente justo” para com aqueles que tentaram travar o progresso do Atlético de Rio Tinto. O relvado sintético, um anseio antigo de todos os que fazem parte do clube, não foi esquecido por Ângelo Campos que prometeu que o clube “continuará a propor a solução” por forma a melhorar as actuais infra-estruturas.

A cerimónia de tomada de posse contou com várias personalidades. Entre elas, o líder da Assembleia-geral do Atlético, Luís Silva, os vereadores Fernando Paulo e Castro Neves, o autarca Marco Martins e presidente da Direcção do Mosteiro Futebol Clube, Joel Ramos. Nesta ocasião, Marco Martins destacou o trabalho desenvolvido pelo clube ao nível das camadas jovens. Além disso, o presidente da Junta de Rio Tinto, realçou a importância do Atlético para a freguesia e para o concelho.

Por sua vez, o vereador Fernando Paulo exaltou, à imagem de Ângelo Campos, o trabalho do anterior presidente do clube: “ António Taveira é um excelente dirigente desportivo, nunca perdendo o bom-trato, a elegância e a boa educação.” O vereador afirmou que por agora será apenas possível manter o apoio habitual ao Atlético, o que acontece à imagem de outras instituições. A austeridade que os tempos exigem e os fortes investimentos noutras áreas, como a Educação, não permitem “entrar em aventuras”, explicou o responsável autárquico.

Quanto ao desejo expresso pelo adeptos e simpatizantes do clube, Fernando Paulo respondeu que “não posso recusar que o sintéctico é o piso ideal para a prática do futebol. Logo que seja possível, a Câmara Municipal de Gondomar vai apoiar esta aspiração.”

 

Luís Alves

Com as etiquetas , , , , ,

Póstroika

Quem não defende uma política simplificada e acessível, não a defende de todo. A política, sendo algo de todos nós, deve estar ao alcance de todos. Do médico e do trolha. Do velho e do novo. Do empregado e do desempregado. De todos.

Este vídeo que aqui partilho responde a esse presságio.

Tem argumentação do autor do República do Cáustico, um blog que elenca a lista de locais de opinião que frequento com regularidade.

Quanto à realização, design e animação, esses, ficaram a cargo da Dialogue – uma equipa de design que não conhecia mas da qual fiquei fã pela criatividade e frescura.

Com as etiquetas , , , , , , , , ,

Cidades

“Gondomar clama por um parque da cidade.”
por Luís Alves

[in Público, 22.4.11]

Com as etiquetas , , , , , , , ,

Tão Portugal

A crise económica é massiva. A crise financeira acompanha o ritmo. A crise social é antiga e destrói-nos todos os dias. A crise política – essa mais recente – dá o toque final. E o que faz o Governo?

Tão-só: Tolerância de ponto na quinta-feira à tarde.

Parece que os únicos que vão trabalhar por estes dias são os homens da Troika. Hilariante.

(imagem importada daqui)

Com as etiquetas , , , , , , , , , , ,

Bagão Félix

O Conselho de Estado, segundo a CRP, é “o orgão político de consulta do Presidente da República” (artº 141) cujo funcionamento está explícito no ponto 2 do artigo 144º: ” As reuniões do Conselho de Estado não são públicas”.

Se nestes 35 anos de vida deste documento fundamental da democracia portuguesa, houve muitos que o contornaram, esta não é uma razão para que um recém-empossado Conselheiro de Estado o faça.

Bagão Félix, de forma mais ou menos indirecta, revelou parte do conteúdo dessa última reunião que ocorreu no último dia do mês passado. Não o devia ter feito. Mesmo que um dos Conselheiros tivesse, hipoteticamente, mentido. Deve haver, ao abrigo daquilo que é o Conselho de Estado, um dever de reserva inviolável.

Quero acreditar que este “deslize” foi apenas isso. Um deslize. Porque Bagão Félix é uma personalidade repleta de qualidades pessoais e intelectuais.

Com as etiquetas , , , , , ,

Soares dos Santos

Foi de facto muito interessante, a entrevista de Alexandre Soares dos Santos a José Gomes Ferreira, ontem (dia 6) na SIC Notícias, no programa Negócios da Semana.

De entre as inúmeras questões abordadas, com natural incidência para a crise política, destacam-se duas basilares: (1) deve haver um acordo pré-eleitoral; (2) o Presidente da República deve nortear o caminho doravante seguido.

Ainda houve tempo para estabelecer pontes entre o momento do país e a situação na Jerónimo Martins, que depois de se ter estabelecido de uma forma consolidada na Polónia, pretende ampliar os seus negócios para outros países, que, por ora, estão a ser estudados numa perspectiva fiscal e constitucional.

(Fotografia: ALEXANDRE ALMEIDA/KAMERAPHOTO)

Com as etiquetas , , , , , , , ,

Isto

A mescla de acontecimentos que tem vindo a ocorrer no quadro político português – que tem a demissão do primeiro-ministro como exemplo maior -, deixa-nos, uma vez mais, a vaguear pela espuma dos dias.

Vale a pena socorrermo-nos de um sempre útil dicionário para esclarecermos um ponto que será interessante de ser conhecido por todos, sem excepção.

Política: “s.f. ciência ou arte de governar uma nação; arte de dirigir as relações de um estado com outro.”

É assim que consta no dicionário. A política como uma ciência ou arte. Interessante conceito este que junta dois sub-conceitos tidos frequentemente como díspares.
A arte, por seu lado, como a exaltação de um estado mais ou menos raro em que o Homem se liberta e se exprime. Por outro, a ciência, como algo rígido e axiomático em que nos fundamos como ferramenta para perceber melhor o que nos rodeia.

Não será por acaso que a política congrega duas áreas opostas. Entre outras razões, poder-se-á explicar pela casta nobre em que a política se insere e pela função primordial que desempenha junto daqueles que representa.

De facto, em Portugal cavalgamos para um afastar progressivo do conceito original de política e o resultado é esta amálgama de decisores de índole política que beiram o diletantismo.

Diogo Vasconcelos, director internacional da CISCO, relembrou numa conferência na Nova de Lisboa que no Reino Unido, país onde exerce as suas funções, as pessoas constroem e sedimentam uma carreira académica e profissional e só depois, se dedicam a uma tarefa política porque só nesse momento teriam algo a dar aos seus concidadãos.

Porque é disto que se trata: de dar um contributo intelectual, cultural, pessoal e de trabalho ao país e aos cidadãos.

Esse contributo deve partir de individualidades que sejam do que melhor há na sociedade. Pessoas que tenham excelentes níveis culturais, académicos e valores intrínsecos como o da honestidade e o da integridade. Não se trata de distinguir as pessoas nem tão pouco de elitismos. Trata-se sim de ter uma escolha criteriosa daqueles que são os mais habilitados a representar e a tomar decisões que são de todos e que a todos diz respeito.

Nesse sentido, a política não deve ser nunca uma profissão. E o que mais temos são carreiras que floresceram de uma fonte puramente política. Esse é, talvez, o sinal mais preocupante do estado das coisas.

A política, nessa ambivalência que é a arte e a ciência, deve saber integrar decisores que bebam constante e recorrentemente de fontes históricas, filosóficas e sociológicas. Porque sem essas ciências basilares, a política é uma nulidade. É um confronto vazio de jogos políticos e de crianças que discutem estratégias em tom baixo para o “adversário” não escutar. São personagens que encenam um papel que não conhecem. Que se digladiam num confronto pessoal a que nós, que esperávamos um confronto de ideias, assistimos tristemente.

in O Centro Social e Jornal Vivacidade

Com as etiquetas , , , , ,

Homens da Luta em risco

Quando há uma má notícia – os Homens da Luta vão representar Portugal a Dusseldorf -, há sempre uma boa notícia – eles podem ser desqualificados porque o regulamento do Festival da Eurovisão não permite músicas com conteúdo político.

Mas entretanto podemo-nos divertir com o inglês do Jel.

 

Com as etiquetas , , , , , ,

Moção

Vou tentar dizer isto sem me rir: o BE submete hoje ao Parlamento a moção de censura.

Com as etiquetas , , , , ,

Trabalho. Isso mesmo: trabalho.

O grupo Jerónimo Martins tem crescido substancialmente. Na Polónia, por exemplo, tem feito investimentos muito credíveis e consumados que lhes permitem, entre outras coisas, ter crescido cerca de 40% no ano transacto.

Hoje, o presidente do grupo, Soares dos Santos,foi questionado sobre qual seria o truque para este crescimento em plena época de recessão. A resposta foi assim atirada:

Os truques é para o Sócrates. Eles [os políticos] é que gostam de truques. O nosso sucesso assenta em trabalho”.

Não poderia ter sido mais certeiro. Ainda que as generalizações possam ser desviantes da realidade, a verdade é que o trabalho é a base de tudo.

Mesmo na política, o trabalho deve ser o leme de um navio que se quer próspero e navegável.

Os truques encaminham-nos para um traçado provinciano, periclitante e amargo cujo resultado lê-se nos valores do desemprego, da precariedade social, do abstencionismo eleitoral, entre tantos outros.

Com as etiquetas , , ,