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Sobressalto geracional

Dizer que nós, jovens, somos a geração mais bem preparada, mais culta e mais capaz de sempre é já um lugar-comum. Mas não deixa de ser um ponto que nos distancia, de forma particular e decisiva, de gerações anteriores, que fizeram do amadorismo uma forma de vida – o tão chamado “desenrascanço”.

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Deixámos de ser pessoas

Nós, europeus por referência geográfica e europeístas por convicção, deixámos de ser pessoas. Deixamo-nos encantar pelos privilégios de viver no velho e rico continente. Deixamo-nos sorver por uma aristocracia aparente e volátil. Demasiado volátil.

Certo é que os países do sul padecem mais deste vírus dos que os do norte. Talvez pelos hábitos ancestrais, talvez pelos valores base em que nos sustentámos, a realidade é que nós, especificamente, os portugueses, atirámo-nos para este estado apático e bacoco como alguém se atira para o sofá no final de um dia intenso de trabalho. E por lá ficámos.

Este fenómeno que dilacera já duas ou três gerações tem um efeito anestesiante no nosso bom senso.

Hoje, mais do que ontem, gastámos dinheiro porque sim.

Gabriel Magalhães, num brilhante artigo no La Vanguardia intitulado de “A neblina portuguesa”, resume assim:

“(…) foi vingando a ideia de que o projecto da Europa assentava num sistema aristocrático para toda a população. Foi assim que se deu o regresso inconsciente a uma mentalidade senhorial de outros tempos. Entrámos no século XXI a pensar com se pensava no século XVII.”

A fasquia das nossas ambições é sobejamente baixa. As universidades são hoje rampas de lançamento para um emprego, provavelmente precário, mas que é o bastante para uma vida “vivível”.

Somos pouco altruístas. Vivemos por e para nós. Abandonámos (ou nunca chegamos a ter) uma cultura colectiva que nos permitia viver melhor.

O nosso percurso de existência não se pode resumir a um “nascer-estudar-divertir-trabalhar-reformar-e-morrer”. Se assim for, é sinal de que abdicámos definitivamente uma postura de vivência em sociedade. O velho continente não suportará esse estado desinteressado e acrítico e os países emergentes serão, de uma forma desestruturada, donos de nós e do mundo.

in O Centro Social

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